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Leandro – Aprovado Concurso PF 2018

Leandro – Aprovado Concurso PF 2018

29-10-18 | Depoimentos | admin |

Saudações a todos do Missão Papa Fox.

Minha jornada começa há algum tempo, aproximadamente em 2007, quando próximo de me formar questionei o que faria da vida. Após pensar e refletir muito, resolvi estudar para a Polícia Federal.  Venho de família de militares. Meu pai e muito dos meus tios serviram à Marinha do Brasil, tendo meu pai servido a vida inteira como Infante no Corpo de Fuzileiros Navais. Cresci aprendendo com meu velho pai valores, bons modos, amor à nação e mais ainda, o amor pelo qual meu velho exerceu sua função por toda vida. Aprendi com meu pai a honrar o que se faz, respeitar a instituição em que se trabalha e sempre dar o seu melhor.

Nestes anos de 2007 eu bem mais novo (tinha 25 anos de idade), já buscava algo parecido e, encontrei repentinamente a vontade de me tornar Agente de Polícia Federal. Com dificuldades financeiras (meu pai não possuía recursos suficientes para custear cursos preparatórios e na época não havia essa oferta e facilidade de cursos online como hoje em dia), consegui pagar um curso famoso no meu estado à época com o dinheiro de um estágio que fazia. Lembro que ganhava 300 e poucos Reais e paguei o curso em 12 cheques de R$ 120,00 (aproximadamente). Com dedicação, ia todos os sábados ao curso (que era de 08:00 às 19:00). Lá, fiz amigos e colegas. Fiz a turma regular para Polícia Federal; todos respirávamos este ambiente e sonhávamos com a mesma coisa: o tão sonhado distintivo.

Eis que o ano de 2008 passou, a turma integral acabou e já emendei turma de exercícios e simulados (no próprio curso). Estava na segunda bateria de simulados quando saiu o edital do concurso para Agente de Polícia Federal em 2009. O nervosismo foi geral. Na época, eram 200 vagas para Agente. Pensei que só precisava de uma, fiquei nervoso mas segui em frente. Me impus o objetivo de tirar 70 pontos. No dia da prova, fiz tudo com calma e cautela. Com o gabarito preliminar, fiquei com algo em torno de 72 ou 74 pontos. Não lembro exatamente, mas sei que no final com o definitivo, fiquei com 74 pontos, mais 10,52 na redação. Não acreditava que tinha tudo transcorrido mais que satisfatoriamente em relação ao meu objetivo de 70 pontos.

Para meu azar (ou não), o corte foi 74 pontos e me vi no final da lista, aproximadamente em “400 e pouco”, de 200 vagas, de acordo com um ranking na época. Em nenhum momento pensei em desistir, fiz todas as etapas e, ao final, eu era o 210º colocado. Nesse momento eu estava apreensivo e, para minha surpresa, foram convocados 209 candidatos e nenhum a mais.

Na época, achava AFO um bicho de sete cabeças sem nunca ter olhado pra matéria. Esse bloqueio custou muito. Foram questões fáceis que futuramente iria estudar e resolveria sem problemas. AFO nunca me derrubou mais em concurso. Aprendi que não se deve negligenciar ou ceder ao medo de aprender algo novo.

Nessa época, conheci o grupo de excedentes, nos falávamos de todo o país via e-mail, nem whatsapp existia ainda. Daí, laços de amizade e irmandade se formaram. Tive a oportunidade de conhecer pessoalmente os colegas indo à Brasília.

Mas preciso dizer que naquele momento me deixei abater pelo resultado. Tinha chegado tão perto e ao mesmo tempo, parecia tão longe! Infelizmente, me deixei levar pelo ostracismo e vitimismo nessa época, precisamente durante o ano de 2010. Parei de estudar, ficava tentando justificar meu erro e sentindo pena de mim mesmo, alguns de meus colegas excedentes não se abateram e seguiram na jornada. Só por volta de 2011 consegui voltar a estudar, mas devo dizer que estudava sem qualidade, meio que me enganava e acreditava que só por estar frente a mesa com livros abertos, lendo PDFs de um curso que comprei (as turmas online já eram uma constante daí em diante), era suficiente para passar. Me faltou sabedoria e planejamento de estudos nesse momento.

Enfim, em 2012, saiu o tão aguardado concurso para Agente novamente. Dessa vez eram 600 vagas. Como tive a experiência anterior, me cobrava muito com o resultado e posso dizer que foi a pior prova que fiz na vida. No meio da prova até passei mal e fiz uma redação muito ruim. Não soube aproveitar o momento: eram 600 vagas, oportunidade de sobra pra quem estuda. Meus amigos do grupo de excedentes que não se vitimizaram e estudaram passaram nesta prova.

Neste mesmo ano obtive êxito no concurso para Polícia Civil de meu estado, onde atuo até os dias atuais. Até então, pensava em ficar na instituição que estou, a qual exerço meu trabalho com afinco e dedicação. Em 2014 cheguei a me inscrever novamente para a prova de Agente, mas tinha acabado de sair de um curso interno e não tive tempo de estudar, meio que já estava aceitando a ideia de ficar no cargo que ocupo no estado que vivo.

Porém, no fundo eu sabia que não devia desistir do sonho e só estava protelando a ideia de correr atrás de meu ingresso no DPF. Voltei a estudar em 2017, dessa vez com mais afinco do que em 2008 e 2009, pois tinha aprendido a não fraquejar ao ver uma dificuldade (mal sabia eu que muitas piores viriam). Comprei cursos online no ano de 2017 e comecei devagar. Ainda não estava totalmente dedicado e, no final do ano, as coisas pareciam piorar. Minha até então namorada de um longo relacionamento dava sinais de que não me acompanharia na jornada e, no réveillon de 2017 para 2018, ela deu um fim no relacionamento.

Naturalmente me abalei, mas não me rendi com o acontecido. Sentia que no fundo, era o momento que eu teria que sentar mais tempo na cadeira e estudar. As coisas vêm e vão na nossa vida. A vivência já era algo em minha vida, agora com 35 anos e, resolvi intensificar mais nos estudos, em vez de ficar me lamentando. Comecei a progredir em contabilidade. Em maio, fazia dois meses que só estudava essa matéria; queria esvaziar as deficiências que tinha nela. Li diversos professores dizendo que tínhamos que colocar na nossa cabeça que gostamos da matéria e só assim ela seria “palatável”. Tomei pra mim justamente o contrário: pensava que eu odiava e detestava cada matéria dessas, consideradas difíceis. Para mim era um inimigo: que precisava ser vencido e, quanto mais eu detestava a matéria, mais gana eu tinha para desvendá-la. Esse pensamento deu certo para mim. Matérias que antes julgava inalcançáveis começaram a se tornar compreensíveis. Me via discutindo sobre máscara de sub-rede sem classes (de informática) ou sobre pronunciamentos do CPC e afins (de contabilidade), coisa que nunca antes eu pensaria discutir.

Comprei então o pacote de simulados Missão Papa Fox V.6. Confesso que apesar de frequentar o site Saga Policial há anos e saber dos simulados, tinha um desconhecimento da qualidade dos mesmos. Pensava que simulados tinham que ser os presenciais e, pra ser mais sincero, confesso que inicialmente resolvi adquirir os simulados pelo preço altamente convidativo, visto que nos cursos no meu estado, a metade dos simulados sai por um valor quase 400% mais caro.

Até então, resolvi investir nos simulados e não fiz nenhum deles (lembrando que o pacote V6 continham as matérias pré-edital), pois ainda estava focado na teoria. Em maio, fiz uma escolha que mudou radicalmente minha vida: resolvi investir numa baia de estudos indicada por um colega de trabalho. A sala ficava a uma hora e meia de minha casa. Abria de segunda a segunda, funcionando de 08h às 22h30min nos dias de semana e de 08 às 18h nos finais de semana e feriados. A partir daí, essa era a minha rotina: acordar às 06h todo dia, sair de casa 06h30min, ir a pé até o metrô, que me levava o centro da cidade. Chegava por volta de 08h e só saia de lá no final do dia, por volta de meia noite. Como trabalho em escala de plantão, potencializava toda minha folga na sala. Por vezes, era o último a sair, diversos finais de semana praticamente ficava sozinho estudando.

Lembro que chegou a copa do mundo. Enquanto todos estavam indo ver os jogos, com camisas amarelas, lá estava eu, no centro comercial da minha cidade indo estudar. Se falar que isso não me incomodava, estaria mentindo: todos se divertindo e eu lá, na rotina incessante. No meio da copa caiu meu aniversário. E lá estava eu, estudando. Comemorar? Depois eu teria todo tempo do mundo…

E no meio desse caminha havia uma pedra: além de estar recém-separado, o percurso cansativo que eu fazia, estar estudando enquanto todo mundo à sua volta se divertia… só essas condições eram suficientes pra qualquer um jogar a toalha. E a pedra era muito maior. Nesse tempo, descobrimos que minha mãe estava com um câncer no intestino. Nessas horas, você pensa que o emocional não vai suportar, mas eu pedia força a Deus a todo momento e fazia minha parte: levava minha mãe ao médico para consultas e exames, trabalhava e não abandonava a sala de estudos. A rotina estressante cada vez mais me forjava e me tornava forte e decidido a não me render. Minha mãe internou por uma semana, quando retiraram-lhe um tumor. Uma cena que não esqueço é a de quando ela deu entrada no hospital para se preparar para a cirurgia: ao invés dela pedir para eu orar por ela, a velhinha me abraçou na cama e falou no meu ouvido: vou orar por você e sua prova. Pergunto: a essa altura do campeonato e com uma torcida dessas teria como alguém desistir? Pra mim não!

Continuei indo para a sala de estudos sem deixar de cuidar de casa. Eu e meu irmão fazíamos tudo. Meu pai ficava com minha mãe no hospital e eu ia lá algumas vezes. Partia para a sala de estudos e, como na minha casa só eu dirijo, ficava de sobreaviso caso ocorresse alguma alteração para prestar o apoio necessário (pra piorar, minha mãe está com um problema na perna que a impossibilita de andar, só sai de cadeira de rodas). Minha mãe voltou para casa de alta e, dias após, um alívio: o tumor era benigno. Vida que segue e continuei na sala de estudos. Nesse tempo o edital saiu: fiquei com medo das alterações drásticas. Mas parei e organizei as ideias: se tá difícil pra mim, tá difícil pra todo mundo. São apenas 180 vagas e 135 pra ampla… Aqui, o maior clichê valia: só precisava de uma vaga. Pouco importava quantas eram.

Foquei no português, informática e Contabilidade. Três matérias fundamentais na prova. Aprendi estatística (mais na parte descritiva) e fazia exercícios da banca a todo momento, naqueles sites de questões.

A partir daí intensifiquei nos estudos teóricos e, após a suspensão do concurso, comecei a fazer os simulados, além das questões, logicamente. RLM fazia mais questões do que teoria. Era uma matéria que gostava.. Direito, só exercícios.

Como disse, resolvi comprar os simulados do Missão Papa Fox pelo custo-benefício. O edital havia mudado e, mesmo não tendo feito nenhum do V6, para minha surpresa, a equipe foi tão comprometida que houve a atualização pós-edital para todos, a um custo zero e com um simulado a mais. A dedicação dos caras e o profissionalismo são ímpares. Quando resolvi entrar no ambiente virtual do Missão Papa Fox fiquei surpreso: tinha espaço do simulado, gabaritos, fórum de discussão, acompanhamento estatístico, enfim, o ambiente completo que nada perdia para simulados presenciais. Bastava apenas sua autodisciplina e honestidade consigo mesmo na hora de fazer o simulado. Comecei a fazer um simulado após o outro. Estava um pouco atrasado. Enquanto eles lançavam o simulado 4, eu fazia o 1, Preferi não participar do ranking, pois achava que minhas notas não estavam satisfatórias. Fechava em 49 oscilando a 65 líquidos sempre. Me cobrava mais e mais, objetivando o sucesso e nunca me dava por satisfeito. Pensava na máxima: treino difícil, jogo fácil. E a equipe do Missão sabia nivelar em dificuldade pra nos manter sempre com os pés no chão.

O nível dos simulados era excelente: questões bem elaboradas. Não teria como dar ruim estudando com a logística do Missão.

Com três a duas semanas para a prova, minha mãe internou novamente quando foi descoberto outro tumor no intestino. Dessa vez, retirou o tumor e colocou uma bolsa de colostomia. Fui diversas vezes cuidar dela no hospital. Ela e meu pai sempre apoiaram meus estudos, inclusive nesta etapa. Após a alta médica dela, mergulhei integralmente na sala de estudos. Na verdade, nunca abandonei a sala. Só faltei 3 vezes por causa do tratamento de minha mãe. Mas agora faltavam duas ou uma semana e eu estava com sangue nos olhos para a prova. Fazia dois simulados do Missão Papa Fox na semana e, três dias antes da prova fiz o simulado 8, último da série. Tirei 62 no mesmo.

Eis que chegara o dia da prova: diferentemente de antes, eu estava calmo. Depois de tudo o que passei, adquiri maturidade e sabedoria para digerir as dificuldades da vida. Só agora tinha cabeça pra enxergar que a jornada tinha valido muito mais do que o resultado, independentemente do que ocorreria. Nada iria retirar as cicatrizes de batalha que eu tinha adquirido.

Enfim, fiz a prova da forma como eu achava melhor: lembrando de tudo que tinha estudado. Afirmo com certeza que cada simulado que fiz me ajudou a trabalhar a tranquilidade na estratégia da prova. É tão importante saber a matéria quanto saber administrar a prova. Quais questões responder, quais deixar em branco, como e qual o tempo para fazer a redação…

Único problema que tive foi na hora de marcar o cartão. Perdi algum tempo divagando naquelas questões de grau de dificuldade mais alto e preenchi o cartão faltando meia hora, terminando faltando um minuto pra entregar a prova. Aquelas questões que você encontra uma pegadinha na hora de responder e muda de opinião preenchendo o cartão não foram transcritas para minha prova, só na folha de respostas. Muita gente saiu do prédio falando que a prova não estava tão difícil. Alguns eram conhecidos meus. Achei a prova difícil. Tenho humildade em falar isso. Não queria nem pensar na prova até o gabarito preliminar.

Quando saiu esse gabarito, vi que estava na casa dos 64. Para mais ou para menos, pois, como disse, algumas repostas que marquei no cartão não foram transcritas na minha prova. Em 2009 para 200 vagas o corte foi 74. Pensei que eu estava fora, mas ainda poderia brigar com as anulações. Recorri de algumas e no dia do gabarito oficial, abri o arquivo. Procurei meu nome nas primeiras páginas e não vi. Me conformei. Como disse, o trajeto que batalhei até a prova foi engrandecedor e, todo esforço valeu a pena sem arrependimentos. Depois vi que o arquivo tinha muitas páginas. Lembrei que eram vários cargos e, quando vi, estava na folha 3. Vi que era a relação de delegado. Fui na de agente, procurei e encontrei meu nome lá. Resultado: 76 no gabarito final e 12,12 na redação. Dei graças a Deus por estar aprovado, mas achava que estava fora das vagas de novo, 2009 foi meu parâmetro pro corte. Vi num fórum que um membro colocou um arquivo com uma tabela com a relação de aprovados em ordem de pontuação e, para minha surpresa, estava em 53 de 135 vagas para a ampla. Primeira coisa que fiz foi ir à sala abraçar meu pai. Olhei para minha mãe sentada, a abracei ajoelhado e ela disse: Eu sempre soube, meu filho. Sempre orei por você…

Fiquei orgulhoso com o resultado: fui bem em português, tive um rendimento bom em informática e em contabilidade, deixei apenas uma em branco, acertando as outras 23. Pra quem há meses atrás estava praticamente cego na matéria, evoluí bastante.

Desde então, sigo treinando para o TAF e fazendo os exames. Muita água vai rolar. Tenho feito minha parte com a mesma gana que tive pra fazer prova objetiva e redação. Uma etapa apenas foi vencida, nunca perco minha fé em Deus e o que eu merecer, será feito. Seu nome será honrado sempre e nunca me darei por vencido. Lembre-se: Muitos querem, alguns tentam, poucos conseguem.

Se foi possível pra mim, é possível para todos.

Deixo toda minha gratidão à equipe do Missão Papa Fox, pela nobre missão de ajudar a nós, aspirantes à Polícia Federal na realização deste sonho.

SEMPER FIDELIS!

Leandro Miranda (convocado para a ANP 2019). *Atualizado em junho/2019

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